A arte de RESENHAR!

Olá!

Você se considera um avido leitor e resenhista? Costuma deixar resenhas em suas redes-sociais, sites de livros e lojas virtuais?

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Ilustração John La Gatta (Itália, 1894-1977) — Capa da Revista LIFE de Janeiro de 1929.

Escrever resenhas de obras literárias, sejam elas de qualquer gênero, época e importância, é uma tarefa elogiável que dissemina o trabalho do autor, gera debate sobre o conteúdo do texto, e engrandece o intelecto de quem escreve – e analisa – e de quem lê – e pondera.

Por causa da popularidade dos blogs e Instagrams literários – bookstagrans – o número de resenhistas cresceu muito, e a geração atual de leitores tomou gosto por produzir e consumir resenhas sobre autores internacionais e nacionais, conhecidos e iniciantes.

Mas, se como leitores e escritores estamos felizes com a quantidade, onde fica a QUALIDADE?

Como autora independente, dependo muito da disseminação dos meus livros através das resenhas nas redes-sociais – o famoso boca-a-boca, só que atualizado para a era digital. Por isso, estou numa eterna cruzada pela angariação de resenhas dos meus leitores e leitoras pelo Brasil, na torcida de que seus seguidores e influenciados se sintam encorajados a dar uma chance a uma autora relativamente nova e desconhecida, por causa das honestas e preciosas resenhas.

E foi a partir dai que surgiu a ideia de escrever esse texto. Venho interagindo muito com resenhistas dedicados, e outros nem tanto, e tenho que dizer que muitas vezes, o exercício de resenhar está sendo desclassificado quando colocado para péssimo uso por parte de quem não se preocupa em obedecer o mínimo de regras e condutas para apresentar uma boa resenha.

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Uma menina escrevendo, 1860-1880.
Henriette Browne ( França, 1829-1901)
óleo sobre tela
Victoria & Albert Museum, Londres.

Não estou falando, é claro, de resenhas negativas. Elas existem e quando são bem escritas, se justificam. É justo que meu trabalho não vai agradar a todos, e me sinto honestamente lisonjeada quando leio uma resenha escrita de forma crítica e bem estruturada, com razões sólidas para uma avaliação menor do que as cobiçadas 5 estrelas.

Como tudo relacionado a nossa amada língua portuguesa, há regras e formas corretas de se criar a famosa resenha crítica, e se observadas as regras básicas, é quase garantido um bom resultado, que vai julgar de forma justa aos olhos do leitor o trabalho lido, e ajudar a informar os leitores da resenha sobre o conteúdo da obra de forma didática.

Então, já que você chegou até aqui nesse texto, aproveito para repetir as mais clássicas regras básicas para a criação de uma boa resenha. E sejamos honestos, dar uma atualizada nas muitas regras da nossa língua nunca é demais, afinal, tem gente que dedica toda a sua vida ao estudo da mesma e ainda assim, encontra dúvidas na hora de criar.


Regras básicas para escrever uma boa resenha crítica:

  • Leia o livro com muita atenção.

É preciso conhecer muito bem o texto que se pretende resenhar. Se você terminou a leitura, mas não sabe dizer quem são os personagens e como cada um se distingue dentro da estória, por exemplo, então não está preparado para criticá-lo.

Contexto histórico também é muito importante. Não se pode entender Os Miseráveis, de Victor Hugo, sem entender os costumes da França do século XIX, entre a batalha de Waterloo e as barricadas de Paris.

  • Antes de escrever, reflita.

O próximo passo é refletir sobre o livro. É preciso organizar os pensamentos, debater internamente se você conseguiu ou não entender a mensagem que o autor queria passar.

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Serenity II de Sherree Valentine DAINES 

Reflita sobre os fatos óbvios, que estão na primeira camada do texto, e também sobre as entrelinhas. As mensagens que não foram ditas explicitamente. Muito de um livro se encontra naquilo que se supõe que o personagem fez ou disse, ou no que se supõe que um determinado momento representou para cada personagem. Nenhum livro é composto por absolutamente todas as informações que existem sobre cada capítulo. Há muito que fica a cargo do leitor imaginar ou supor, baseado nas informações que ele recebe.

Em Jogo De Amor Em Eleonor, a história é contada do ponto de vista de Linda, minha heroína central. Mas supondo-se que tudo é observado a partir de sua perspectiva, é importante que o leitor consiga observar através de seus olhos, e deduzir ou até mesmo imaginar, que a forma como os outros personagens a sua volta agem quando estão com ela não necessariamente representa 100% de suas personalidades, afinal, cada um reage conforme sua personalidade o informa, e cada reação é filtrada pelo observador, que por sua vez informa o leitor, no caso de Linda, sobre como tudo está acontecendo e como tudo a faz pensar, sentir e agir.

  • Comece escrevendo o essencial.

Agora é hora de começar a escrever a sua resenha. É importante ter em mente que uma resenha deve descrever o livro e apontar aspectos importantes sobre ele. Personagens marcantes e relevantes para a história devem ser citados, sendo que uma boa dica para apresentá-los é descrevendo suas impressões sobre a personalidade deles, e por que a estória seria completamente diferente na ausência dos mesmos.

Um parágrafo inicial com a descrição do livro – ou até mesmo a sinopse – e mais um para discorrer suas impressões sobre os personagens é o suficiente. Menos que isso também deixa a desejar.

  • Defina bem sua opinião.

Uma resenha te dá a chance de expressar suas opiniões sobre vários aspectos do livro, como por exemplo a fluência do texto, a presença ou não de humor, e até mesmo a velocidade na qual as coisas acontecem.

Deixe claro aquilo que você gostou, foque no positivo, defenda os personagens que agiram como você acredita que eles agiriam, baseado no seu entendimento de suas personalidades. Relacione momentos e experiências que acontecem na obra com sua própria vida, julgue os personagens conforme sua consciência e explique por que sua opinião é contrária ou favorável a determinado personagem.

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Peaceful Reading de Fernand Toussaint – Bélgica

Caso queira dedicar algumas linhas ao que você não gostou, seja sábio. Nada é totalmente bom ou ruim, e há gosto para tudo. Se o livro não te agradou, sugira quem seria o tipo de público a quem a obra provavelmente agradaria.

Não dê spoilers porque isso é simplesmente grosseiro, e ao criticar momentos específicos, se lembre de que a visão do autor foi muito bem pensada e pré-determinada, e há a possibilidade de que você simplesmente não o tenha entendido. Ou entendeu e não concordou, o que é justo, porém, é preciso respeitar a visão do autor e saber que ele expressou aquilo que lhe cabia, e que o debate sobre qualquer assunto é saudável e engrandecedor.


Espero que você que ficou comigo até agora tenha no mínimo, renovado seus conhecimentos sobre a arte de resenhar, e talvez tenha até aprendido algo novo.

Aproveito para agradecer a todos os resenhistas que já escreveram sobre meus livros, e os que pretendem escrever também. Leio todas as resenhas e sempre guardo comigo os aprendizados que retiro delas.

Aliás, aqui nesse LINK você encontra muitas resenhas escritas pelos meus lindos leitores, que estão todas guardadinhas no meu coração.

Obrigada pela atenção, e FELIZ RESENHA!

XO, Ana.

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