Leituras do Mês | Abril 2018

Olá!

capa

Chegou a hora de resenhar as leituras de abril. Confira!


No mês de abril só tive condições psicológicas de ler UM livro, e na resenha eu explico o porquê.

  • All The Bright Places (POR LUGARES INCRÍVEIS) – JENNIFER NIVEN

Por Lugares Incríveis – JENNIFER NIVEN

Título original: All The Bright Places, de 2015.

Versão lida: Em inglês original, Editora Penguin Random House.

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A autora

Jennifer Niven conta em seu site que com dez anos de idade já havia escrito duas autobiografias, vários contos, poemas e músicas.

Mais livros foram publicados para o mesmo público, YA, mas ela também escreveu livros históricos e outro baseados em fatos de sua própria juventude.

Seu romance POR LUGARES INCRÍVEIS ganhou inúmeros prêmios literários, elogios mil, e vai virar filme com Elle Fanning como a protagonista Violet.


O livro

Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu, a garota se afasta de todos e tenta descobrir como seguir em frente.

Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e obrigado a lidar com longos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família. Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, quando poderá ir embora da cidadezinha onde mora, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e, para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular.

Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: visitar os lugares incríveis do estado onde moram. Nessas andanças, Finch encontra em Violet alguém com quem finalmente pode ser ele mesmo, e a garota para de contar os dias e passa a vivê-los.

Nada te prepara para o que é de verdade a leitura desse livro. A capa fofinha, a sinopse pouco descritiva, os primeiros capítulos… Nada te prepara para o que está por vir.

Por causa do infinito estoque de romances Young Adult no mercado, o fator novidade é definitivamente um ótimo motivo para se dedicar a essa leitura, e quem gosta de explorar a vida através dos olhos de jovens personagens vai se encantar.

O tema do livro pode ser dividido em duas partes. De um lado, uma conversa extremamente honesta sobre morte, doenças mentais como depressão e bipolaridade, e sobre luto. Do outro lado o descobrimento da vida pós adolescência quando o mundo começa a ser um lugar de verdade, onde as experiências contam para algo mais do que a superficialidade do cérebro adolescente normalmente consegue absorver, incluindo relacionamentos verdadeiros que envolvem mais do que beijos nos corredores da escola e festas divertidas.

Theodore Finch é a alma e o coração dessa estória, apesar de alguns capítulos serem contados pelos olhos de Violet Markey, nossa heroína. Finch é um daqueles garotos que tem uma personalidade tão grande que mal lhe cabe, e grande (exagerada) percepção do mundo ao seu redor. Ele é observador, mas ao memso tempo muito falante, constantemente opinando e analisando, e te encantando enquanto isso.

Finch, é claro, também passa por momentos e situações cujo entendimento estão além de seus anos e experiência de vida, o que incomoda desde muito cedo no livro porque fica muito claro que os adultos em sua vida estão falhando com ele, e são completamente responsáveis pelos acontecimentos que se desenvolvem.

Violet sofreu um acidente de carro com a irmã mais velha e foi a única a sobreviver, e meses após os acontecimentos ainda se encontra sem rumo, de aula em aula na escola, a procura de quem ela realmente é, agora que sua vida antes do acidente parece não fazer mais sentido. O antigo namorado, amigas, rotina… Nada mais se encaixa, e Violet se encontra no mais alto ponto do luto, o de se culpar e procurar formas de justificar a propria existência.

Os dois se encontram e instantaneamente compreendem que tem um interesse em comum, a morte. Finch reflete todos os dias sobre suicídio, pessoas que o fizeram e como, e quais seriam as repercussões disso, enquanto Violet procura lidar com a dor que ainda precisa processar.

Finch demonstra um comportamento clássico de quem sofre sua condição como momentos de altos e baixos intensos e extremos profundos de cada humor; e se durante seus melhores momentos ele consegue se tornar facilmente um dos melhores personagens jovens do sexo masculino que você vai ler na vida, por outro lado, nos momentos de tristeza e dor ele parte seu coração, questiona a própria vida com palavras que trazem lágrimas aos olhos, e comove até o mais desapegado dos leitores.

O amor que nasce entre Violet e Finch desabrocha aos poucos, com calma, de forma bela. O livro é longo, e te mostra passo a passo o nascimento e desenvolvimento desse sentimento, tudo isso enquanto é observado também o desenvolvimento pessoal e emocional de cada um dos personagens centrais, pouco a pouco.

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Jennifer Niven (autora) e Elle Fanning (atriz que viverá Violet no filme)

Finch é charmoso, meio nerd, engraçado e divertido, sonhador e pé no chão, tudo ao mesmo tempo. Ele passa tempo demais sozinho, lendo, refletindo, imaginando, e se punindo por não ser como os outros, por não conseguir ser como as pessoas precisam que ele seja. Acha que está quebrado, e que não há conserto. E espera, pacientemente, pelo momento em que não encontrará mais desculpas para adiar sua partida desse mundo.

Com Violet, seus dias se alongam e em seus melhores momentos, ele consegue ver a beleza de sua relação com ela, e o valor que eles tem um para o outro. Mas por causa de sua doença, essa lucidez vai se esvaindo aos poucos, e a presença do amor de Violet deixa de ser uma forma clara e precisa para se tornar borrões em seu campo de visão.

Violet é a cola que junta toda a trama, apesar de não exigir tanto emocionalmente do leitor quanto Finch exige. Sua dor é muito real e está sempre presente em seus diálogos e pensamentos, mas ela lida com tudo da maneira mais honesta que conhecemos, questionando a ordem natural das coisas e sentindo falta da irmã no dia a dia da família, e nos projetos que tinham juntas. É triste, mas é a parte mais, digamos, confortável de se ler nesse livro. 

Para quem não tem familiaridade com a bipolaridade como eu (ou não tinha…), o momento da virada de Finch, quando você percebe nitidamente que seu charme e carisma não são mais algo dentro de seu controle, a experiência de ler o que ele diz se torna levemente perturbadora.

Me vi subitamente incomodada com a leitura do meio para o final, e não sabia dizer exatamente o que estava sentindo até que Finch foi diagnosticado. Não quero dar spoilers, mas sinto que é preciso deixar o alerta para leitores mais sensíveis: Esse livro fala muito abertamente sobre doenças mentais, e sobre a forma desconexa e perturbada com que a cabeça de uma pessoa nessa condição funciona, principalmente de um adolescente. E se, assim como eu, você também carrega uma certa sensibilidade para com pessoas que vivem em luta contra doenças cruéis que não te permitem ser quem você é e te fazem refém da situação, então saiba que com você pode acontecer o mesmo que me aconteceu.

Terminei a leitura lá pelo dia 15, e desde então, não tive condições de iniciar um novo livro. Toda vez que penso em Finch e em tudo que vivemos juntos nas páginas desse romance, meu coração pesa, e sinto que a hora da despedida – que sempre acontece após um bom romance com personagens cativantes – vem se arrastando para além do normal, e me encontro tentando deixar para trás esse garoto que me ensinou tanto, e comoveu mais ainda.

Mesmo vivendo a montanha russa emocional com a qual ainda estou honestamente lidando, e talvez até mesmo por causa dela, esse livro me marcou como uma das leituras mais intensas e ao mesmo tempo queridas da vida.

Um romace de arrasar, entrou para minha lista de favoritos de todos os tempos, e não pode deixar de entrar para a sua lista de leituras também.


Obrigada pela visita, espero que tenha gostado da resenha. Volte sempre!

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