Crítica | Bohemian Rhapsody

Olá!

Hoje divido com você minha crítica do filme Bohemian Rhapsody, uma cinebiografia da banda Queen. Confira!

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Bohemian Rhapsody – 2018

Ficha técnica:

Direção: Bryan Singer – Os suspeitos de 1995 e X-men: Apocalipse de 2016.

Elenco: RAMI MALEK como Freddie Mercury,  como GWILYM LEE como Brian May, BEN HARDY como Roger Taylor e JOSEPH MAZZELLO como John Deacon.

Produção: Bryan Singer, Robert De Niro, Graham King, Jim Beach.


Há algo de muito especial em ir ao cinema assistir um filme que foi feito especialmente para você.

Bohemian Rhapsody não foi feito para os críticos, para os apreciadores de cinema, para quem estuda cinema, para quem tem olho clínico.  Esse filme foi feito para quem é fã do Queen. Ponto final. E também para que toda uma nova geração tivesse a oportunidade de conhecer um pouco sobre o fenômeno Queen, quem era Freddie Mercury e porque ele representa o que representa na história do rock.

Se esse fosse um filme feito para a crítica eu teria outra opinião, mas esse filme foi feito para quem quer conhecer o Queen, para quem é fã, e para quem como eu nasceu depois do auge da banda e tem idade para conhecer o legado do Queen e para respeitar o legado, mas não para conhecer esses personagens mais a fundo.

Bohemian Rhapsody foi idealizado como um filme grande, impactante e caro. O crédito da direção ficou com Bryan Singer, apesar do diretor ter sido demitido da produção após filmar 2/3 das cenas. Dentro os muitos motivos que levaram a sua demissão estão atrasos contínuos e discussões com o elenco.

O diretor substituto contratado foi Dexter Fletcher. Ele não apenas cuidou das filmagens finais como também de toda a parte de pós-produção. Dito isso, gostaria de destacar a direção como um dos pontos fortes da produção. Apesar dos problemas de bastidores, acho que as escolhas dos diretores tiveram reflexo muito direto na qualidade final do longa, algo que mesmo com elenco de primeira e muito dinheiro, nunca está garantido. Os ângulos de câmera, a ambientação, a iluminação, tudo isso reunido trouxe para a tela muita autenticidade, o que me permite dar crédito a direção, fotografia e edição com tranquilidade.

Em termos gerais, acho que esse filme é um projeto que quer contar uma história, passar uma mensagem muito direta, e para isso não dá muitos rodeios. É um filme feito dentro de moldes antigos, que não assumem muitos riscos nas escolhas de direção e edição, e que entregam um resultado final redondo e encaixado que poderia ser chato, mas não é. Pelo contrário, a trama se desenvolve com destreza sem se arrastar em nenhum momento, não permitindo cenas carregadas ou desnecessárias (com exceção do final…).

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Rami Malek, o nosso ator principal, entrega um Freddie Mercury energético, vivaz, criativo e respeitável. Na hora dos belos vocais, Malek contou com ajuda não só do próprio Freddie, tendo sua voz inserida na mistura de sons que formavam os vocais do filme, como também de um cantor conhecido pela similaridade de seu timbre com o de Mercury, Marc Martel.

Malek entrou totalmente no personagem, se permitiu todos os detalhes e trejeitos que compunham a figura de Freddie Mercury, que mais do que tudo, não eram coisas pensadas para criar um personagem, mas sim a própria personalidade borbulhante de Mercury que precisava ser externada de todas as formas possíveis. Freddie tinha sim aquela exuberância, aquele colorido que gritava, e Malek conseguiu entregar na tela um Freddie autêntico, que entretêm e emociona.

O roteiro ficou por conta de Anthony McCarten que também roteirizou A teoria de tudo, e a meu ver, há similaridades entre os dois projetos. Ambos os longas exploram a realidade de figuras icônicas, no caso Stephen  Hawking e Freddie Mercury, pessoas que revolucionaram o mundo; mas tem suas histórias contadas dentro de uma caixinha, em longas feitos de forma clássica, sem nenhuma explosão de criatividade. Esse detalhe está incomodando muitos críticos, mas eu julgo que essa é a forma que o roteirista tem de humanizar essas figuras tão gigantes, muito além do que entendemos por ser-humano, e trazê-los de volta para o mundo real.

Outro aspecto do filme que está recebendo muitas críticas negativas é a cronologia.

Foram tomadas certas liberdades de roteiro para encaixar eventos fora de sua época correta, dando assim prosseguimento às cenas e encaixando a trama de forma mais confortável.

O exemplo mais citado é a participação do Queen no primeiro Rock in Rio de 1985 que foi tão icônico quanto o próprio Queen. Há sim uma menção, digamos, honrosa, por parte do próprio Freddie no filme com relação aos fãs brasileiros e da importância do evento para a história da banda, mas infelizmente tomamos o segundo lugar no quesito destaque na carreira do Queen para o Live Aid, que aconteceu também em 1985, mas que no filme se passa exatamente na época certa, e não foi jogado para outro ano conforme necessidade roteiristica como o Rock in Rio.

O Live Aid, apesar de ter sido igualmente icônico para a história da banda, ganha tamanho reconhecimento e destaque no filme que chega a incomodar quem sabe da cronologia correta e por ventura, estava esperando pelo momento do nosso festival no longa. Ele está lá, só que… Menos.

Com relação a filmagem, as cenas de palco, de apresentação da banda, acontecem de forma orgânica dentro do longa, e não ganham enorme destaque em relação ao resto da trama. Porém há o pequeno problema da qualidade das cenas de efeitos gráficos que precisam emular as multidões que preenchiam os estádios, que sinceramente, poderiam ter sido melhores. Dito isso, acho que não teria me importado tanto com essas cenas se não fosse o oposto causar estranhamento ainda maior.

Algumas cenas de palco mostram a visão geral da banda, e esses momentos convencem demais, mas são pontuados por close-ups de Rami Malek no seu mais profundo estágio de imersão no personagem, que trazem luz as diferenças que existem entre a personificação e Mercury em si. São cenas que chegam perto demais do ator, e acabam contribuindo para a quebra da magia – # a louca da Disney – o que poderia ter sido evitado se ao invés das desastrosas inevitáveis comparações por parte do expectador, pudéssemos continuar presos na nuvem de emoção e nostalgia que cerca as cenas mais abertas, ao meu ver representações honestas do que era assistir o Queen ao vivo.

Bohemian Rhapsody

Ainda sobre o roteiro, uma menção se faz necessária com relação aos demais personagens do filme sentirem a necessidade de pontuar o comportamento egocêntrico e exagerado de Freddie. Ora, já não deixamos esse debate para trás? Já não vimos filmes suficientes que trazem à tona a questão do artista egocêntrico, do fenômeno da música que se perde em bebidas, festas, drogas e atenção? Essa história é mais velha do que o rock em si, e se torna cansativa nos momentos em que esse morno debate ganha alguns segundos de tela. Não há novidade, não há surpresa. Estrelas do rock se comportam assim desde que o mundo é mundo, e esse pequeno choque que alguns personagens sentem a necessidade de dividir com a gente poderia e deveria ter passado batido.

Para mim se destacou no roteiro o “romance” entre Freddie e sua primeira namorada, Mary.

A história deles dois se desenvolve em paralelo durante todo o longa de forma muito bem encaixada. O arco do romance tem começo, meio e fim dentro dos detalhes únicos da realidade de Freddie, e contam uma parte da vida do astro que o humaniza e evidencia uma necessidade de manter vivo e pulsante um sentimento que tinha muito mais a ver com lealdade e adoração do que com amor carnal entre home e mulher. Belissimamente contado.

É claro que a trilha sonora ganha menção honrosa, afinal, está completamente dedicada a utilizar os grandes sucesso da carreira do Queen para contar a história dessa banda, cena por cena.

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O filme termina com a apresentação do Queen no show Live Aid, que marcou não só o retorno da banda aos palcos após aproximadamente 3 anos de separação, com também a nova e última fase na vida de Freddie, onde ele estaria abertamente vivendo com o homem  com quem dividiu os anos finais de vida, durante os quais batalhou contra a Aids.

O show verdadeiro está disponível no Youtube para ser assistido, durou cerca de 20 minutos e está retratado filme quase que por completo. O que causou certa estranheza.

Se o show original está ai para todo mundo ver, havia mesmo necessidade de terminar o longa com uma recriação de 80% do show? É claro que era necessário o momento apoteótico que serviria de gancho emocional para trazer à tona todas as lembranças e emoções que atrelamos, pessoalmente, aos grandes sucessos da banda, e até a própria figura emblemática e performática de Freddie Mercury. Mas acho que teríamos ganhados mais se o longa terminasse com uma ou duas músicas apenas.

O show na vida real teve um dos line-ups mais estrelados da história, arrecadou milhões para ajudar a combater a fome na África e, foi assistido simultaneamente em vários países ao redor do mundo, trazendo de volta para os fãs a emblemática e gigante banda Queen, que para falar a verdade, ganhou uma enorme homenagem na forma de longa metragem, e continuará imortalizada na história do rock e da música mundial.

Arrisco indicações ao Oscar de melhor ator para Rami Malek e de trilha sonora. Será que acertei?


Obrigado pela visita. Volte sempre!

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Leia a sinopse e os primeiros capítulos desse lindo romance aqui!

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