Resenha | Eleanor Oliphant está muito bem

Olá!

Um romance psicológico genial? Sim! Confira!

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ELEANOR OLIPHANT ESTÁ MUITO BEM – Gail Honeyman

Título original: Eleanor Oliphant Is Completely Fine, 2017.

Versão lida: Impresso, Editora Fábrica 231, em português.

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Livro de estreia da escocesa Gail Honeyman, Eleanor Oliphant está muito bem foi revelado através de um concurso literário e, desde então, vem conquistando excelentes críticas e uma bela carreira internacional.

Aos 30 anos, Eleanor Oliphant trabalha na área administrativa de uma empresa de design e leva uma vida solitária, mas feliz. Apesar de ser alvo de bullying no ambiente de trabalho por sua aparência e hábitos peculiares, ela não sente falta de nada e parece perfeitamente à vontade com sua falta de habilidades sociais.

Mas tudo muda quando ela conhece Raymond, novo funcionário da área de TI da empresa, e os dois, por acaso, salvam a vida de um senhor que desmaia no meio da rua.

Com sensibilidade e muito bom humor, a autora conta a história de uma amizade que muda para sempre a vida de três pessoas muito diferentes, que descobrem que a melhor maneira de sobreviver é abrindo o coração.

Vamos falar sobre isolamento e solidão.

Eleanor, a nossa heroína da vez, é uma personagem construída em cima de muitos segredos. Alguns revelados em partes, outros completamente mantidos até o final da trama. Seu passado foi completamente afundado por uma rigorosa rotina que a mantém longe do mundo e seus habitantes, de forma segura e constante.

Eleanor encanta de imediato o leitor por ser completamente honesta com relação a tudo que faz e pensa, mesmo nos momentos mais inoportunos. Ela entende que o mundo a sua volta funciona de maneiras que ela não consegue compreender, mas também está completamente ciente do fato de estar olhando para o mundo do lado de fora.

Começamos descobrindo a rotina de Eleanor, seus dias trabalhando num escritório onde se tornou praticamente invisível, seu pequeno e inacabado apartamento onde sua única companhia é uma planta com quem ela garante ter conversas profundas, suas caminhadas até a lojinha da esquina para adquirir o mínimo básico para sobreviver.

Nada há de muito fascinante em seus dias, a não ser pelo incômodo fato de que Eleanor tem dificuldades de se relacionar com as pessoas, ficando assim à margem da sociedade, das funções sociais e dos relacionamentos interpessoais.

Toda semana ela fala com a mãe ao telefone, e suas conversas são perturbadoras desde o primeiríssimo momento.

A mulher trata a filha como uma boneca de pano que pode tanto ser abraçada quanto arrastada pelo chão, sem a menor das consequências. Tanto a crueldade da mãe quanto a fragilidade da filha são amplamente exploradas.

Eleanor carrega consigo traumas e dores de uma infância e adolescência conturbadas, repletas de abandono e descaso, e uma cicatriz no rosto que a identifica como uma vítima de imediato. Ela cresceu entre vários lares adotivos, instituições públicas e afins, até ter idade e estrutura psicológica suficiente para ser uma adulta funcional, e poder tomar conta de si mesma.

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Aos 30 anos, após décadas de isolamento e distância, Eleanor se decide, após um encontro ao acaso com um músico que lhe chamou muito a atenção, finalmente voltar a participar do mundo de verdade, e para isso vai precisar fazer com que seu destino de se tornar o amor da vida do tal músico se torne verdade, o mais rápido possível.

Nossa heroína passa então a procurar formas de se transformar na mulher que ela visualiza, seria capaz de causar tamanho impacto no músico, que o faria se devotar a tê-la para sempre. E assim seriam felizes.

Enquanto dedicada a essa louca estratégia, Eleanor tem uma experiência um tanto estranha num dia comum. Ela e um colega de trabalho, Raymond, caminham pela rua quando um velhinho parece ter um tipo de ataque repentino e desmaia, chamando logo sua atenção. Os dois chamam ajuda e tratam de acompanhar o senhor ao hospital para garantir que ele ficará bem, e que sua família será encontrada.

A partir dai a relação de amizade entre Eleanor e Raymond deslancha, trazendo cada vez mais pequenos momentos de normalidade para a vida da heroína, a fazendo redescobrir pequenas sutilezas das relações entre amigos que trazem mais alegria ao dia a dia da maioria de nós.

Raymond não é nenhum príncipe encantado, ao contrário, e só um cara comum, com uma vida comum, que carrega consigo suas dores, problemas e pequenas alegrias. Eleanor, influenciada pela mentalidade elitista da mãe, enxerga no colega apenas aquilo que se poderia considerar como negativo, como seu vício em cigarros, suas roupas mal arranjadas e sua falta de educação ao comer com a boca aberta; mas inicialmente é incapaz de ver sua gentileza, bondade, bom humor, e outras qualidades que fazem dele uma boa companhia.

Essa amizade improvável é forjada aos poucos, ao longo do livro, e é desenvolvida de maneira muito realista, tanto que parece que a qualquer momento a autora terá que dar um salto no tempo se quiser chegar onde chega antes da última página, mas surpreendentemente isso não é necessário. Ela consegue arredondar a trama lindamente, inclusive e principalmente a relação entre Eleanor e Raymond, e a sensação ao final da leitura é de ciclo completo, bem explicado e contado.

Uma delícia de narrativa.

Mas essa história, apesar de muito bem permeada pelos personagens laterais, é totalmente de Eleanor. É sobre ela que aprendemos, é com ela que sofremos, rimos, nos desesperamos, nos irritamos e nos apaixonamos. Eleanor é a alma da trama, e é através de suas palavras e contemplações que também somos convidados a comtemplar certos aspectos da vida moderna que levam todos nós, em algum momento ou em outro, de forma drástica ou quase imperceptível, a nos isolar e nos sentirmos completamente incapazes de nos relacionar com a realidade dos outros.

Eleanor sente que ninguém nunca será capaz de compreender tudo pelo que ela passou e como isso afetou sua vida, e esse é um sentimento muito fácil de se encontrar em si mesmo, mesmo que com intensidade menor.

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O abuso emocional e físico pelo qual ela passou e passa durante a trama leva o leitor a sentir todas as suas emoções, e arrisco dizer que cheguei até a compreender, até mesmo a justificar, a ilusão que Eleanor criou em sua mente com relação ao músico. Ela queria ter a sua fatia de normalidade, finalmente, e sua mente traumatizada apenas criou para ela um caminho lógico e relativamente simples para alcançar aquele objetivo.

Mas é claro que a vida não funciona dessa forma. É claro que o músico não é quem ela pensava que era, até porque ela o julgou completamente baseada numa única experiência, o que nunca condiz com a total realidade de quem uma pessoa é por completo, de verdade.

O caminho que Eleanor percorre durante esse livro está escrito de tal forma que, ao chegar ao fim, nos resta uma sensação de ciclo fechado, de cura e renovação, de acerto e principalmente, de segunda chance.

A leitura me surpreendeu, me inspirou e me trouxe esperança de que para todo tipo de dor, há sempre um caminho para a cura, e é preciso ser forte e corajoso para segui-lo.

Leitura recomendadíssima.


Obrigada pela visita!

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