Resenha | The seven sisters

Olá!

Na resenha de hoje temos literatura inglesa contemporânea. Confira!

resenha margaret drabble the seven sisters


THE SEVEN SISTERS – MARGARET DRABBLE

Titulo original: THE SEVEN SISTERS

Tradução: AS SETE IRMÃS. 

Versão lida: Em impresso, no inglês original, Editora Penguin – MODERN CLASSICS – 2011. Só há 01 livro da autora traduzido para o português disponível no Brasil, e se chama SOBRE A MARÉ NEGRA. 


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Candida Wilton tem sido ignorada pelo marido e filhas por anos, antes de ser substituída por uma mulher mais jovem. Se mudando para Londres, sozinha, divorciada e sem muito dinheiro, parece que ela está destinada a viver uma vida de pequenos prazeres: visitas à academia, um pequeno clube do livro.

Quando ela recebe uma pequena quantia inesperada, Candida reúne seis companheiras de viagem – mulheres de sua infância, de sua vida de casada e de depois – e mapeia uma jornada a muito sonhada, passando por Tunísia, Nápoles e Pompéia, onde sua vida cinzenta na cidade pode florescer em uma nova de cor e aventura.

Em The Seven Sisters, Margaret Drabble captura as maravilhas das segundas chances com inteligência seca, honestidade e observação precisa.

Estranhamente satisfatório!

Essa foi a crítica mais interessante que eu já vi sobre um livro. Mas foi assim mesmo que o crítico inglês resolveu vender sua ideia deste romance que o que tem de estranho, tem de satisfatório, invariavelmente.

Uma senhora de meia idade recém divorciada, abandonada e rejeitada pela família e comunidade, se muda com o pouco dinheiro que lhe é de direito de um subúrbio idílico no interior da Inglaterra para um pequeno apartamento de dois quartos num prédio velho no centro de Londres. Sua vida nunca teve tais cores ou nuances, mas é sua obrigação aprender a se adaptar.

Candida Wilton começa nos mostrando um pouco de sua nova realidade, mantendo pequenos prazeres como ir ao clube para um mergulho na piscina comunitária, ou caminhar pelas recém descobertas ruas de Londres, sem nunca entender realmente como poderia realmente fazer parte dessa nova realidade, e não apenas observar o mundo girar, como tem sido durante toda sua vida adulta.

Ao mesmo tempo, ela nos apresenta sua história, sua família e amigos.

Os mesmos que hoje se tornaram praticamente estranhos para ela. Candida vivia um casamento apático e conveniente, assim como era e ainda é sua relação com as três filhas, espalhadas pelo mundo sem lhe dar muita atenção. Os amigos da comunidade resolveram dar-lhe as costas após o divórcio, afinal, a mulher com quem seu ex-marido estava para se casar era a pobre mãe da menina que se suicidou a pouco tempo no lago local. A pobre mulher merecia um novo amor, mesmo que seu novo amor já tivesse um “velho amor” por quem era totalmente e financeiramente responsável

Candida se vê com uma pensão mínima, sozinha e sem ideia do que fazer. A única coisa que ela sabe é que em Londres estará longe de tudo e todos que um dia constituíram sua vida adulta, e isso já é alguma coisa.

Em meio a descobrir, com muita parcimônia, o que a agitada e estranha Londres tem para lhe oferecer sem pedir muito de volta, Candida nos conta sobre seus dias de mocidade ao lado das amigas de colégio interno. Lá as moças conversavam e liam romances épicos como se a vida não existisse fora daquelas paredes, e foi essa a dinâmica que deixou em Candida uma saudade inesperada.

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A Eneida.

Destinada a uma vida de pequenos prazeres e pouco dinheiro, nossa heroína decide reacender a chama que a unia às antigas e algumas novas colegas, todas ligadas por seu amor ao livro A Eneida, um poema épico latino escrito por Virgílio no século I a.C., que leram durante a juventude e sobre o qual sonhavam juntas. No livro Eneias, um troiano, viaja errante pelo Mediterrâneo até a península Itálica; e sempre houve, no coração de Candida, um grande desejo de poder ver por si mesma as locações citadas no livro sobre as quais ela e suas colegas costumavam conversar e debater.

Eventualmente, Candida recebe uma quantia em dinheiro que não esperava, e decide que sua principal prioridade será organizar a viagem dos sonhos com as tais colegas, para juntas viverem a experiência de ver as locações do livro e reviverem momentos de mocidade e inocência, a muito perdidas no tempo.

A trama se desenrola dessa maneira com fluidez e tranquilidade, e a escrita da autora, particularmente inteligente na hora de descrever cenas e pensamentos, entrega uma heroína real, honesta, problemática mas fruto de seu ambiente e de sua falta de escolha.

Os ingleses.

Os ingleses, famosos por sua inabilidade de conviver em família com mais do que uma afeição discreta e desinteressante, ficam mais que evidentes nos maneirismos e atitudes de Candida. Sua dificuldade em se relacionar com as próprias filhas é nossa maior prova.

A viagem.

A tal viagem das sete irmãs não tem início até eu se chegue ao meio do livro, e quando alcancei as tais páginas, me pergunte porque a autora escolheu demorar tanto para desenvolver o ato central da trama, e senti que talvez o livro pudesse ser caracterizado como enrolado.

Mas não é até a finalização do livro, com toda a informação apreendida sobre Candida e demais personagens, que pude perceber a importância de todas as páginas escritas nesse livro. É preciso determinar com muita clareza com quem exatamente estamos lidando, para que a viagem e tudo que ela representa se torne realmente um conceito claro para o leitor.

A jornada de Candida é dignificadora, sua busca por uma auto descoberta se não emocionante, é ao menos muito humana e verdadeira. Uma mulher destituída de personalidade ou até mesmo gostos próprios, que se permite viver coisas que jamais pensou, na companhia de mulheres que a princípio gerariam muita resistência em conviver, mas que enfim descobrem o quanto podem acrescentar umas nas vidas das outras.

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Há momentos desesperadores, há momentos engraçados, há até mesmos momentos em que a fragilidade de Candida é acenada como uma bandeira bem em frente a nossos olhos, o que nos deixa com vontade de gritar para ela que não precisa se calar, que é bom dividir com outras pessoas aquilo pelo qual está passando, e que cada pessoa pode ajudar ou ao menos ouvir um pouco que seja.

Não há tristeza.

Dito isso, acho importante enfatizar que esse não é um livro dramático no sentido mais cru da palavra. Você não vai se debulhar em lágrimas, não vai dormir ao final da leitura se sentindo depressivo, nem vai se sentir mal por se sentir como ela, ás vezes.

Esse livro, apesar de lidar com tudo que lida, é uma história de renovação, e auto descoberta, de uma mulher que se permite querer um pouco, só um pouquinho mais do que lhe foi permitido. E no meio do caminho, aprendemos a observar com mais respeito e solenidade, a realidade de se chegar a certo ponto na vida e sentir que ou você promove uma grande mudança, ou deixará de ser relevante em pouco tempo.

The seven sisters é sim, estranhamente satisfatório, porque no final das contas nossa heroína, uma mulher que mais comum impossível; continua comum, continua ela, mas só que muito mais.


Obrigada pela leitura!

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